Gestão,  Produtividade

Tomada de Decisão – um processo pontual e sistêmico

Durante milênios o homem se guia pela interpretação de coisas como vísceras de animais (Exemplo: os Vikings), fumaças (Exemplo: Índios no Estados Unidos e sonhos (atemporal) para tomar decisões.

Por gerações e gerações de chineses seguem a sabedoria poética e as adivinhação do I Ching. No século VI a.C. Lao Tsé prega o princípio da “ação sem intenção”, para que as coisas sigam seu curso natural. Confúcio explica que toda decisão deve ser influenciada pela benevolência, ritual, a reciprocidade e a piedade final. Ainda os chineses um livro de fundamental leitura ao líder e ou gestor é A Arte da Guerra, de Sun Tzu. Neste livro o autor concluí que o sucesso de uma empresa, assim como o sucesso militar, depende de quatro condições: objetivo comum, reação ao ambiente, liderança capaz e fluxo de informação eficiente.

A importância do líder

“O segredo do sucesso, tanto há 2.500 anos como hoje, reside na conquista da união em torno de um objetivo comum, com um líder que respeite a diversidade dos indivíduos e se empenhe em criar um ambiente de trabalho harmonioso sem se descuidar do ambiente externo, que conte sempre com novas informações e atue a fim de se adaptar às condições em transformação.”

Juan Antônio Fernández

Para isso, é preciso líderes de caráter nobre e exemplar. O líder desempenha papel importante nesse modelo. Um ditado chinês diz: “Um soldado incompetente é um problema individual, mas um general incompetente é um problema de todo o exército”. Os líderes devem ser um exemplo para toda a empresa.   

A informação supera a intuição

Gregos consultavam o oráculo de Delfos. Profetas e visionários de toda sorte predizem o futuro. No século V a.C. em Atenas, cidadão do sexo masculino tomam decisões pelo voto, num dos primeiros exemplos de autogestão democrática. No século IV a.C. Aristóteles prega uma visão empírica do conhecimento que valoriza a informação obtida e Alexandre, o Grande corta com a espada o nó górdio, mostrando como um problema difícil pode ser resolvido com um golpe audaz. Em 1620 Francis Bacon afirma a superioridade do raciocínio indutivo na investigação científica, em 1641 René Descartes propõe que a razão é superior à experiência na obtenção do conhecimento e estabelece o arcabouço para o método científico. Em 1738 Daniel Bernoulli assenta as bases da ciência do risco ao examinar eventos aleatórios do ponto de vista de quanto o indivíduo deseja, ou teme cada resultado possível. No século XIX Carl Friedrich Gauss estuda a curva do sino, antes descrita por Abraham de Moivre, e cria uma estrutura para a compreensão da ocorrência de eventos aleatórios. Em 1900 estudos de Sigmund Freud sobre o inconsciente sugerem que atos e decisões do indivíduo, muitas vezes, são influenciados por causas ocultas na mente. No século XX e XXI teremos o advento da inteligência artificial, ferramentas de auxílio a tomada de decisões empresariais, vários autores discutindo as decisões racionais X decisões instantâneas e o uso da Inteligência Emocional na tomada de decisões estratégicas (Goleman).

Hoje já falamos da metodologia ativa e participativa do Decision Making, o que envolve várias técnicas e ferramentas que apoiam o processo decisório, todas baseados em modelos de gestão variados; participativo ou não, em trends ou tendências como: empowerment, liderança servidora, gestão do conhecimento e da inovação, gestão da competência, CCQ´s (Círculos de Controle de Qualidade), design thinking, TPS (Toyota Production System) e suas variações etc.

Na administração pública existem certos princípios que norteiam a decisão do gestor público, são elas: da legalidade; da impessoalidade; da moralidade; da publicidade e da eficiência que são auto explicativas. O que a administração pública ensina é que temos que adotar critérios, princípios e valores para tomada de decisão para que ela seja justa, transparente e preserve a liderança e seus liderados da insegurança administrativa.

O processo decisório

O processo decisório é multidisciplinar, envolve questões cognitivas de aprendizado, percepção, observação, análise e crítica, envolve a emoção e razão, a inteligência emocional, empatia, criatividade e inovação. Poderíamos categorizar as questões cognitivas em: individuais e sociais. As individuais relativas ao desenvolvimento pessoal, em um processo ontológico relativo ao passado e presente vivenciado pelo sujeito ao longo de sua vida. E as sociais relativo à interação social deste indivíduo em relação aos demais membros da sociedade, comunidade, grupos formais e informais.

Esse processo também é de comunicação organizacional, de troca de informações, num sistema de informação gerencial, com um grau relativo de complexidade, a um sistema de inteligência gerencial com um grau de complexidade maior, e, portanto, requerendo maior grau de maturidade organizacional de todos os membros. Os membros desta organização prescindem de uma liderança competente, de visão estratégica de curto, médio e longo prazo, o que demanda conhecimento e experiência de dados, informações, pessoas orquestrando estes variados recursos informacionais e de pessoas em torno do processo decisório que gere resultados práticos e concretos para a viabilidade do negócio.

Para tanto cabe ao líder ter habilidades e competências de resolução de conflitos; sendo o conflito entendido como um fator natural num ambiente de competição, de busca por resultados, preservando uma ética e moral consolidada na cultura organizacional constituída pelos modelo de gestão, graus de democratização e nível de burocratização.

Decision Making é um exercício de tomada de decisão pontual e sistêmico. Pontual pois envolve decisões diárias e imediatas e sistêmica pois envolve questões ambientais e múltiplos fatores como: cognitivos; cultural; estrutural; estratégico; coletivos e de liderança.

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